Eu falo besteira com muita autoridade. Num momento bem ficcional.

sábado, agosto 27, 2005

Já disse Alan Moore...

" Sempre tem um em qualquer convenção, loja de quadrinhos ou sessão de autógrafos… um ansioso e ingênuo novato que, aproveitando uma deixa na saraivada de perguntas, ergue a mão trêmula e indaga titubeante: “De onde vocês tiram suas idéias?” Sabe o que fazemos ao ouvir essa questão? Nós rimos zombeteiros, ironizamos o lamuriento e pequeno parvo diante de seus pares, degradamos e humilhamos completamente o infeliz e, como se não bastasse, fazemos em pedacinhos ensanguentados a sua autoestima com nosso humor cáustico e implacável. Damos a entender que apenas a verbalização de tal dúvida coloca-o de modo irrevogável no mesmo patamar intelectual de um cabideiro. Depois, quando já tivermos proferido toda e qualquer sádica insinuação sobre o patético e desprezível verme, ordenamos aos meirinhos queo levem para fora e lhe apliquem um merecido corretivo. Não, eu sei que não é nada decente, mas o dever chama e algo precisa ser feito.
As razões de agirmos assim são muito simples. Em primeiro lugar, no desolador e confuso lamaçal de opiniões e meias-verdades que compõem toda a crítica e teoria artística, essa é a única pergunta que merece ser formulada. Em segundo, nós não sabemos a respota e morremos de medo que alguém se dê conta de nossa ignorância.
(…)
Nos bons dias, tudo dá certo e eu redijo um capitulo em quatro ou cinco horas. Nos ruins, levo as mesmas quatro ou cinco horas, percebo que está um lixo, rasgo tudo e começo outra vez. Repito esse processo quatro ou cinco vezes até me tornar um caco choraminguento que desaba na poltrona, dizendo que não tem talento e nunca mais vai escrever nada na vida. Na manhã seguinte, eu me levanto, faço tudo certo de uma só vez e passo o resto do dia lendo os trechos favoritos pra minha esposa, filhos ou vendedores ambulantes que têm o azar de bater à minha porta (por isso, jamais se case com um desenhista ou escritor. Eles são uma grande roubada, vai por mim)."

Trecho de uma entrevista meio longa, mas inteiramente brilhante que Alan Moore deu, colocada no fim de V de Vitória. É tão engraçada... Eu tinha que registrar em algum lugar. Tem outras partes ótimas, mas eu estou com preguiça de vasculhar.

Essa história é muito boa, aliás... li que vão fazer um filme baseado nela! Assim espero!
Toodles!

segunda-feira, agosto 01, 2005

dia e noite, noite e dia

Image hosted by Photobucket.com

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Uma segunda-feira acordava, mas no interior da vila ainda era noite.

xxx

Eu vou, muito antipaticamente, presumir que vocês são burrinhos e explicar a frase. Mesmo porque eu sei que não consegui transmitir metade do brilhantismo que esse momento teve para mim.

Olhando pela janela da cozinha, dá para ver a linha do horizonte, umas casas e um pedaço da mourato, se não me engano, que tem uma lojinha bastante verde e chamativa (assim como quase tudo na vila madalena: verde e chamativo) chamada "Interior da Vila". Coincidentemente, hoje de manhã, enquanto eu tomava um iogurte esperando não agredir muito meu estômago meio nauseado, essa e somente essa loja estava sendo (no gerúndio) iluminada por uma daquelas lâmpadas meio alaranjadas que fazem tudo parecer meio... de madrugada. Ao mesmo tempo, o dia nascia no ponto de fuga e a lua ainda não tinha se ocultado.

Não podia ter sido mais perfeito. As seis horas da manhã, no interior da vila, enquanto alguns acordavam, ainda era noite. E para mim isto aconteceu pela primeira vez nessas férias. Elas foram realmente significativas para mim, REALMENTE. Muita coisa aconteceu nesse período, e agora cá estou eu ACORDANDO ÀS SEIS DA MANHÃ PARA IR À ESCOLA. porra.